Exames podem não reconhecer mutação do novo coronavírus, diz médico

 

A descoberta da mutação do novo coronavírus, encontrada primeiro no Reino Unido, ainda causa muita dúvida na comunidade científica. A cepa, como é chamada a variante do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, tem uma taxa de transmissão mais alta, mas não há indícios de que ela provoque sintomas mais graves.

O médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chababo, disse, em entrevista à CNN, disse que alguns exames podem não reconhecer os anticorpos destas cepas variantes. E, por isso, resultam em falsos negativos. "Ainda estão sendo testados os vários métodos de diagnóstico para ver se tem algum impacto, principalmente em relação à sorologia, na falha de detecção dessa nova cepa". 

Ele destacou que é provável que pessoas infectadas pela nova variante façam o PCR e o resultado seja falso negativo. Segundo o médico, os laboratórios têm que se adaptar e não usar apenas um único alvo na detecção. 

"No PCR, a recomendação, inclusive que a Anvisa soltou agora, é realizar sempre a busca por pelo menos dois ou três alvos, porque se você falhar no alvo S, que é o da mutação, você ainda vai ter os outros dois alvos para fazer a identificação da presença do coronavírus ali e reduzir o risco de um falso negativo no PCR", disse.

Chababo esclareceu que a cepa tem a capacidade de causar a doença da mesma forma do que as cepas anteriores. "Ela consegue causar surtos com um número muito maior de pessoas infectadas. Como em torno de 20% das pessoas infectadas vão evoluir para um quadro que necessite de internação hospitalar e em torno de 5% evoluem para um quadro grave, que precisa de ventilação mecânica e Unidade de Terapia Intensiva, esse aumento do número de casos leva a um aumento dos casos graves e um aumento da mortalidade relacionado à estes casos graves. Esta é a preocupação", conclui.

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