Flávio Bolsonaro admite que Queiroz pagava suas contas pessoais

O senador Flávio Bolsonaro admitiu pela primeira vez que seu ex-assessor Fabrício Queiroz pagava suas contas pessoais, conforme mostrou investigação do Ministério Público do Rio. Segundo ele, a origem dos recursos é lícita, sem relação com os possíveis desvios investigados em seu antigo gabinete na Alerj.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o filho do presidente Jair Bolsonaro deu sua versão sobre os principais indícios obtidos até agora pelo MP sobre o suposto esquema de rachadinha, como a compra de imóveis com parcela paga por um amigo. Ele também respondeu sobre o fato de Queiroz ter sido preso enquanto estava abrigado na casa de Frederic Wassef, que defendia Flávio no caso.

O senador também saiu em defesa do procurador-geral da República, Augusto Aras, que vive uma crise com integrantes da Operação Lava-Jato, e disse que possíveis “excessos” em apurações devem ser investigados. O filho do presidente Jair Bolsonaro disse ainda que a produção do Ministério da Justiça e Segurança Pública melhorou depois da saída de Sergio Moro, em abril.

O senhor é investigado em um inquérito sobre “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio, e o Ministério Público (MP) descobriu que Fabrício Queiroz, que foi seu assessor parlamentar, pagou despesas suas com plano de saúde e mensalidades escolares de filhas. Como explicar isso?

Pode ser que, por ventura eu tenha mandado, sim, o Queiroz pagar uma conta minha. Eu pego dinheiro meu, dou para ele, ele vai ao banco e paga para mim. Querer vincular isso a alguma espécie de esquema que eu tenha com o Queiroz é como criminalizar qualquer secretário que vá pagar a conta de um patrão no banco. Não posso mandar ninguém pagar uma conta para mim no banco?

Mas por que tantos assessores do seu gabinete deram dinheiro para o Queiroz durante anos?

Ele fez um posicionamento junto ao MP esclarecendo essas questões. Disse que as pessoas que faziam os depósitos na conta dele eram da chamada equipe de rua. Queiroz afirma que pegava o dinheiro para fazer a subcontratação de outras pessoas para trabalharem em redutos onde ele tinha força. Sempre fui bem votado nesses locais. Talvez tenha sido um pouco relaxado de não olhar isso mais de perto, deixei muito a cargo dele. Mas é obvio que, se soubesse que ele fazia isso, jamais concordaria. Até porque não precisava, meu gabinete sempre foi muito enxuto, e na Assembleia existia a possibilidade de desmembrar cargos. Outra coisa importante: mais de 80% dos recursos que passaram pelo Queiroz são de familiares dele. Então, qual o crime que tem de o cara ter um acordo com a mulher, com a filha, para administrar o dinheiro?

Os Bolsonaro se elegeram com um discurso alinhado ao da Lava-Jato. Agora, a operação reclama que está sendo alvo de um desmonte. Não é mais uma contradição?

(Augusto)Aras tem feito um trabalho de fazer com que a lei valha para todos. Embora não ache que a Lava-Jato seja esse corpo homogêneo, considero que, pontualmente, algumas pessoas ali (na operação) têm interesse político ou financeiro. Se tivesse desmonte das investigações no Brasil, não íamos estar presenciando essa quantidade toda de operações. Inclusive, com a saída de (Sergio) Moro, a produção do Ministério da Justiça subiu demais. O Moro na verdade saiu do governo porque percebeu que não havia um alinhamento ideológico, no tocante às armas, por exemplo.

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