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Wassef diz que comentar caso Queiroz seria ‘antecipar estratégia’ de Flávio


O advogado Frederick Wassef, dono do escritório de advocacia no interior de São Paulo onde Fabrício Queiroz foi preso, afirmou que explicar a presença do ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em sua propriedade poderia “antecipar a estratégia” da defesa do filho mais velho do presidente.
Wassef concedeu entrevista neste sábado (20.jun.2020) ao Jornal Nacional, da TV Globo. Já fora das câmeras, o advogado afirmou: “Para eu dar as informações porque que o Queiroz estava lá e foi preso lá, eu tenho que contar um monte de coisa. Para eu contar esse monte de coisa, eu antecipo estratégia, eu vou ferir a ética profissional, que eu vou falar de sigilo profissional de 1 processo que estou defendendo o Flávio, e atrapalha. O chamado tiro no pé”.

Frederick Wassef atua na defesa do filho 01 de Bolsonaro nas investigações que apuram suposto esquema de ‘rachadinha’ em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, de 2007 a 2018. Queiroz, cujo paradeiro era desconhecido desde o fim de 2018, é apontado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) como operador do esquema para tomar parte do salário de servidores (reais ou fantasma).
O advogado disse que explicaria a presença de Queiroz em sua propriedade em Atibaia (SP) “daqui a poucos dias“. Negou que estivesse escondendo o ex-assessor. “Ele sequer estava sendo procurado“, afirmou. “Desde que o Queiroz foi preso eu venho sofrendo ataques para destruir minha imagem, minha reputação. Queiroz não é procurado, não é testemunha, não é réu. Ele é 1 averiguado. Queiroz não estava escondido.”
Wassef negou que estivesse monitorando o ex-assessor, como apontado pelo Ministério Público, e também rechaçou ter o codinome de ‘Anjo’, identificado em mensagens trocadas por familiares de Queiroz.
O advogado também voltou a dizer que trabalha para o presidente Jair Bolsonaro, embora a também advogada Karina Kufa tenha afirmado que apenas seu escritório representa o presidente. Wassef, no entanto, assegurou que o presidente nunca soube sobre qualquer relação entre ele e Queiroz.
À jornalista Andreia Sadi, também da Rede Globo, Wassef disse que não teme ser preso. “Eu nunca na vida cometi crime. Por que que eu deveria ser preso?“, questionou.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O CASO QUEIROZ

  • quem é Fabrício Queiroz? Ex-policial militar, é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro e ex-assessor do filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro;
  • por que ele foi preso? Para o juiz que autorizou a prisão, Queiroz poderia ameaçar testemunhas, vindo a atrapalhar investigações, e até mesmo a fugir;
  • onde ele foi preso? em uma casa em Atibaia, no interior de São Paulo, que pertence ao advogado Frederick Wassef, que defende Flávio e Jair Bolsonaro;
  • ele estava foragido? Não havia nenhuma ordem de prisão contra Queiroz. Apesar disso, seu paradeiro era desconhecido desde o fim de 2018, quando foi internado para uma cirurgia em São Paulo;
  • por quais crimes ele é investigado? Queiroz é apontado como operador financeiro de esquema de ‘rachadinha’ na Alerj, recolhendo parte dos salários de funcionários fantasmas. São imputados a ele os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de Justiça;
  • quanto ele teria movimentado no esquema? De acordo com os investigadores, Queiroz recebeu depósitos que somam R$ 2.039.656,52 no período de abril de 2007 a dezembro de 2018. Teria sacado nesse mesmo período a quantia de R$ 2.967.024,31;
  • desde quando e quem investiga Queiroz? As primeiras referências ao ex-servidor de Flávio Bolsonaro chegaram ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) em 10 de maio de 2018;
  • quais as provas que embasam o pedido de prisão? Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), extratos bancários, registros telefônicos, dados de celulares apreendidos (incluindo o de sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar);
  • quem mais foi alvo da operação Anjo? Eis os demais investigados nessa fase da operação:
    • Márcia Oliveira de Aguiar (mulher de Queiroz);
    • Luiz Gustavo Botto Maia (ex-advogado de Flávio Bolsonaro);
    • Matheus Azeredo Coutinho (servidor da Alerj);
    • Alessandra Esteves Marins (ex-assessora do gabinete de Flávio);
    • Luiza Souza Paes (funcionária fantasma da Alerj).
Márcia foi alvo de mandado de prisão preventiva e está foragida. Todos os demais foram alvos de mandados de busca e apreensão, menos Luiza, que já havia tido o celular apreendido anteriormente.
  • por quanto tempo Queiroz ficará preso? A prisão preventiva não tem data de expiração. Já o mandado de prisão preventiva que não foi cumprido contra a mulher de Queiroz vale até 15 de junho de 2036.
Por: poder360

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