Gilmar Mendes diz que incentivar invasão de hospitais é crime


O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou neste domingo (14.jun.2020) que estimular a invasão de hospitais em meio à pandemia é 1 crime e pediu que o Ministério Público tome medidas contra quem defender essa prática.
A declaração do ministro ocorre 2 dias após o presidente Jair Bolsonaro pedir para que seus apoiadores “arranjassem uma maneira de entrar” em hospitais públicos e filmassem as alas para verificar se os leitos estão livres ou ocupados. A fala de Bolsonaro, transmitida em uma live na 5ª feira (11.jun.2020), provocou repúdio entre médicos e autoridades estaduais e municipais.
Em mensagem no Twitter, Gilmar afirmou que “invadir hospitais é crime – estimular também”. “É vergonhoso – para não dizer ridículo – que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, disse o ministro, que pediu ainda que o Ministério Público tome providências.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem travado 1 embate com autoridades estaduais e municipais sobre a forma de gerir a pandemia de coronavírus. O presidente vem contestado, sem provas, os números de mortes e de casos. Na live de 5ª feira (11.jun), ele afirmou, sem provas, de que o governo vem recebendo informações de que o número de mortes vem sendo inflado para “prejudicar o governo federal”
Nas redes sociais, contas ligadas à família do presidente também têm alimentado teorias conspiratórias de que os hospitais do país estão vazios, o que mostraria que a situação não seria tão grave.
Na última 6ª feira (12.jun), após a fala de Bolsonaro, o Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, registrou 1 tumulto quando parentes de 1 paciente recém-falecido tentaram invadir uma ala do prédio para verificar a ocupação. Um médico relatou ao jornal O Globo que os envolvidos no tumulto citaram o pedido do presidente. No sábado (13.jun), 1 grupo de deputados estaduais do Espírito Santo fez uma visita surpresa a 1 hospital no munícipio de Serra.
No início de junho, o hospital de campanha do Anhembi, em São Paulo, também havia sido alvo de uma ação semelhante por parte de 5 deputados estaduais. Na ocasião, os deputados fizeram lives em suas redes sociais, questionando se havia leitos ociosos no local. A atitude foi condenada pela prefeitura, que afirmou que os parlamentares estavam “tentando enganar a opinião pública”.
Após os episódios, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu uma investigação sobre invasão a hospitais e agressões a profissionais de saúde nas últimas semanas. Pelo pedido de Aras, os procedimentos vão depender do Ministério Público em cada Estado.
“Indubitavelmente, condutas dessa natureza colocam em risco a integridade física dos valorosos profissionais que se dedicam, de forma obstinada, a reverter uma crise sanitária sem precedentes na história do país”, afirmou Aras, em ofício ao Ministério Público de São Paulo.
Ainda neste domingo (14.jun), após a reação de Gilmar Mendes, o vereador Carlos Bolsonaro, 1 dos filhos do presidente e que é suspeito de coordenar o chamado “Gabinete do Ódio” – uma rede de propagação de ataques e fake news -, atacou o ministro. Sem citar Gilmar nominalmente, ele afirmou: “Só 1 bandido ou 1 doente mental para minimamente crer que o presidente incentivou invasão a hospitais”.
Em mensagem no Twitter, Carlos ainda disse tudo que o presidente só teria estimulados os cidadãos a cumprir “seu direito de fiscalizar os gastos públicos”.

Também neste domingo, o líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (PSB-RJ), informou que pretende apresentar uma notícia-crime na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Bolsonaro por causa da fala sobre os hospitais.

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