São Paulo começa megaferiado para evitar lockdown.


Com mais de 3 mil mortes causadas pelo coronavírus, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a cidade São Paulo é o epicentro da doença no Brasil. Dos 65 mil casos em todo o estado, 39 mil estão na capital paulista. E na tentativa de frear o avanço da covid-19, começa nesta quarta-feira, 20, um megaferiado municipal.
A medida tem o objetivo de evitar ao máximo o lockdown e garantir que as pessoas respeitem o isolamento social. O feriado prolongado antecipa Corpus Christi, previsto para 11 de junho, e Consciência Negra, marcado para 20 de novembro, para a quarta e a quinta-feira. Na sexta é ponto facultativo.
Deve ser votado na Assembleia Legislativa do Estado nesta quinta-feira, 21, a antecipação do feriado estadual de 9 de julho para o dia 25 de maio. Com isso, a capital de São Paulo teria um feriado de 6 dias.

O feriado, decretado em cima da hora, levou a uma série de dúvidas sobre que serviços funcionam, e que empresas abrem as portas. A bolsa de valores B3  e as feiras livres e os serviços de saúde funcionam normalmente. As agências bancárias funcionam das 10h às 14h. Mas o rodízio está suspenso.
O governo de São Paulo vem frequentemente falando que a taxa de isolamento registrada na capital está longe de ser a ideal, superior a 55%. O número só é atingido em finais de semana e feriados. Durante os dias de semana, o índice tem ficado abaixo dos 50%.
Apesar de existir um protocolo de isolamento total, elaborado pelo Comitê de Saúde, o governo estadual ainda descarta a medida que restringe totalmente a circulação de pessoas.
“Estamos tentando todas as medidas alternativas possíveis para viabilizar o achatamento desta curva [de novos casos de coronavírus], atender as recomendações da área de saúde, proteger a vida das pessoas, utilizando todos os mecanismos, inclusive esse de extensão de feriado”, disse o governador João Doria (PSDB), em entrevista coletiva na segunda-feira, 18.
Na semana passada, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), tentou implementar um rodízio mais rígido para tirar 50% da frota de circulação. Mas a medida causou aglomerações no transporte público e fez Covas voltar atrás na decisão.
Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes na segunda-feira, 18, Dimas Covas, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, disse que decretar o lockdown seria uma “falência do sistema de saúde”.
“Quando você decreta o lockdown é porque perdeu a capacidade de enfrentamento da pandemia. E nós ainda não estamos neste momento”, disse.

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