Com medo, Augusto Aras diz ao STF que só trechos sobre PF devem ser divulgados em vídeo


O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou nesta 5ª feira (14.mai.2020) ao Supremo Tribunal Federal manifestação defendendo que só trechos sobre a PF (Polícia Federal) do vídeo da reunião ministerial sejam divulgados.
“O Procurador-Geral da República entende que a nota de sigilo há de ser levantada tão somente em relação aos registros audiovisuais da reunião que tratem do objeto deste inquérito. Ou seja, tudo que não diz respeito aos fatos ora investigados há de ser mantido sob sigilo”, escreve Aras em sua manifestação.
O relator do caso no Supremo é o ministro Celso de Mello. Na 3ª feira, o decano do STF solicitou que Moro, AGU e PGR (Procuradoria Geral da República) opinassem sobre quebrar ou não o sigilo da gravação da reunião ministerial de 22 de abril. Em depoimento, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusa o presidente Jair Bolsonaro de ter sinalizado, durante o encontro, sua intenção de interferir politicamente na PF (Polícia Federal).
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também disse ser a favor da divulgação apenas parcial do vídeo da reunião.

AGU ENTREGA TRANSCRIÇÃO DE TRECHOS

A Advocacia Geral da União entregou nesta 5ª feira (14.mai) a transcrição de declarações do presidente Jair Bolsonaro durante a reunião ministerial de 22 de abril.
O órgão defende que sejam divulgadas apenas as falas do chefe do Executivo federal e não a dos demais integrantes da reunião.
A própria AGU, no início do despacho enviado à Suprema Corte, destaca, em negrito, que as falas contidas no documento têm caráter “preliminar”, separadas pela sequência da reunião.
“Em verdade, de pronto, o seguinte esclarecimento preliminar é essencial: as declarações presidenciais com alguma pertinência NÃO estão no mesmo contexto, muitíssimo pelo contrário: estão elas temporal e radicalmente afastadas na própria sequência cronológica da reunião”.
Na reunião, Bolsonaro reclama da PF e de serviços de inteligência. O presidente se diz surpreso com a veiculação de notícias nos jornais que ele mesmo não sabia já que, segundo ele, a Polícia Federal não lhe dá informações.
Eis a afirmação do presidente na íntegra: “Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da.. porta ouvindo o que o seu filho ou sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas]. Então essa é a preocupação que temos que ter: a “questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso – todos – é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá pra trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”. 
A transcrição mostra que o presidente Jair Bolsonaro disse que não iria esperar “foderem” alguém de sua família ou 1 amigo para trocar o comando da PF no Rio de Janeiro. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foderem minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe , troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, declarou.
A petição revela que Bolsonaro usou a palavra “PF” durante a reunião, algo que havia sido negado pelo próprio presidente na 3ª feira (12.mai).

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