Nos EUA, Bolsonaro minimiza crise econômica

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O presidente Jair Bolsonaro negou, nesta terça-feira (10), em Miami (EUA), que haja uma crise no Brasil, após o dia caótico enfrentado pelo mercado brasileiro na véspera. Ele classificou os problemas que levaram à pior queda da Bolsa em duas décadas como "uma fantasia" e voltou a criticar a imprensa.
Durante o ano que se passou, obviamente, tivemos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia. A questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga.
Jair Bolsonaro, presidente

Ele acrescentou que a crise com a queda do petróleo foi aumentada pela imprensa. "Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo, entendo que daria muito mais... é melhor cair 30% do que subir 30% o preço do petróleo. Mas isso não é crise", afirmou.
Bolsonaro falava em um evento para investidores organizado pelo Fórum das Américas, entidade criada pelo empresário brasileiro Mario Garnero, com apoio da Confederação da Indústria e outras empresas. O evento, com mesas vendidas a US$ 1.000 por pessoa, recebeu pouco mais de 90 pessoas e teve vários lugares vazios, preenchidos apenas quando chegou a comitiva presidencial.

Dia de caos no mercado

Na segunda-feira, com a soma do crescimento da epidemia de coronavírus e a queda de 30% nos preços do petróleo, a Bolsa brasileira enfrentou uma suspensão temporária dos negócios logo pela manhã e fechou em forte queda.
As ações da Petrobras caíram quase 30%, retirando cerca de R$ 91 bilhões do valor de mercado da empresa. Outras empresas, como Banco do Brasil, Vale, empresas aéreas brasileiras, também tiveram queda significativa.
"Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as Bolsas que começam a abrir hoje já começam com sinais de recuperação", disse o presidente.
Nesta terça, com os mercados internacionais mais calmos, a Bovespa subia e o dólar estava em queda.

Sem interferência no combustível

Ao sair do evento, Bolsonaro falou com os jornalistas pela primeira vez durante esta viagem, e negou que o governo pense em usar a Cide para controlar a queda brusca dos preços dos combustíveis.
"Não existe isso, a política de Petrobras segue de preço internacional", afirmou, acrescentando que espera ver a redução nas refinarias e que seja repassada para o consumidor final.

No evento, marcado para discutir as relações entre Brasil e Estados Unidos, Bolsonaro voltou a falar das reformas tributária e administrativa, que o governo ainda precisa enviar ao Congresso.
"Temos agora dois desafios, um deles a reforma tributária, que julgo tão importante quando a previdenciária", afirmou. Segundo o presidente, a alteração das regras tributárias é necessária para "transformar o Brasil em um país mais fácil de fazer negócios."
Ainda nesta terça, Bolsonaro faria uma visita à fábrica da Embraer em Jacksonville, cidade a 560 quilômetros de Miami. De lá, embarca de volta para o Brasil.
*Com Reuters
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