Queda da Bolsa torna ações mais atrativas para investimentos

 

O líder do setor de renda variável da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, 37 anos, disse na 6ª feira (28.fev.2020) que a queda na bolsa brasileira com a apreensão pela Covid-19 pode ser uma porta de entrada para bons rendimentos.
Segundo Bertotti, em momentos de grandes oscilações, investidores optam pela compra de ouro e títulos de renda fixa. “É muito cedo a gente falar qual é o melhor investimento neste momento. O que eu posso dizer é que nosso mercado de capitais no Brasil tinha ativos baratos e hoje estão mais atrativos ainda”, disse.
O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), encerrou em 104.171 pontos na 6ª feira, queda de mais de 8,4% na semana. Bertotti compara as flutuações deste período com quedas dos anos recentes:
  • Joesley Day – “Em maio de 2017, nós tivemos o Joesley Day. O mercado deu circuit breaker [mecanismo que interrompe as operações após queda acentuada], algo que não acontecia desde 2008. Houve 1 efeito doméstico no país. Jogou todo o mercado abaixo. O Ibovespa teve uma forte correção. Um mês e meio depois o mercado voltou com uma força e subiu no período.”
  • Greve dos caminhoneiros – “Tivemos maio de 2018. Tínhamos preocupação com a eleição e a greve dos caminhoneiros. Houve em maio uma queda próxima de 20% na Bolsa. Também passamos por um período conturbado. Um a dois meses o mercado voltou com uma tendência de alta muito forte.”
  • Barragem de Brumadinho – “Em janeiro de 2019, tivemos Brumadinho. A Vale tem 1 peso muito forte no mercado de capitais e na economia. Tivemos uma ruptura. E agora no final de janeiro a propagação do coronavírus a essa tensão global. Hoje é 1 efeito global, não só brasileiro.”
Para o economista, o país está em uma situação muito melhor dos que há alguns anos. Cita a taxa básica de juros, que atingiu o menor patamar da história, o que favorece os investimentos em renda variável.

Bertotti é mestre em economia internacional pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. É professor da FSG (Centro Universitário da Serra Gaúcha) e líder de renda variável da Messem Investimentos – assessoria que conta com 15.000 clientes e R$ 8 bilhões sob responsabilidade.


Abaixo, trechos da entrevista:
  • coronavírus no mundo“Causa 1 temor global, que veio passando pela Europa e para as Américas. Nos Estados Unidos a gente viu uma correção muito forte na Nasdaq, em Nova York, e no Ibovespa –que em fevereiro registra uma queda de mais de 10%”;
  • economia chinesa “A gente já espera uma redução do PIB da China. Há uma preocupação porque é o principal mercado do mundo e [está muito presente] na pauta brasileira em relação de comércio”;
  • PIB mundial mais fraco “A gente vê empresas sendo fechadas, com horários mais flexíveis. O que a gente sabe é que vai ter impacto, principalmente nos resultados do 1º trimestre das economias e pode se propagar para o 2º trimestre também”;
  • PIB brasileiro “Não tenho dúvidas que as expectativas do Banco Central, de PIB a 2,2%, pode ser revisada a partir desta semana com a propagação do vírus”;
  • turismo “A Nestlé fez 1 comunicado solicitando aos seus funcionários o cancelamento de viagens internacionais. Isso está se propagando para outras empresas. O setor de aviação e companhias de turismo, como CVC, estão tendo 1 revés muito complicado nesta semana e podem sofrer até 1 pouco mais”;
  • Vale e commodities – “A Vale é uma empresa que foi muito mais afetada do que algumas, registrando quedas significativas na semana. É decorrente da questão do minério. Em torno de 40% a 45% da produção da Vale é exportada para a China. A China hoje tem uma demanda de 70% do minério do mundo. Essa possível retração da economia chinesa causa 1 tremor, especialmente, no setor de commodities”;
  • câmbio a R$ 4,48 “Hoje o dólar alto tem 2 motivos. Um deles é a taxa de juros no patamar mais baixo do Brasil, de 4,25%. Isso influencia muito na entrada de dólares no país. Outro fato é a tensão mundial, em que os investidores ficam apreensivos e muitas vezes o dólar não entra para investimentos”.
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