Mel, maionese, Nutella: alimentos invadem fórmula e embalagem de cosméticos

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As vendas do setor de produtos de beleza e cuidados pessoais alcançaram quase R$ 110 bilhões em 2018. O mercado cresceu cerca de 10% ao ano, nos últimos dez anos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Segundo a associação, 1,5% do orçamento das famílias é destinado a produtos e serviços do setor.
Na esteira do crescimento, muitas marcas tentam chamar a atenção do consumidor com novas fórmulas e embalagens. Uma das tendências, agora, volta a ser a utilização de alimentos como ingredientes dos produtos.
Alimentos e cosméticos sempre tiveram uma conexão. A busca pelo caseiro é uma tendência mundial, até como rechaço do excesso de industrialização. As pessoas estão em busca de coisas mais naturais
Andrea Alvares, vice-presidente de Marketing, Inovação e Sustentabilidade da Natura

"A ideia do alimento vem com a ideia de nutrição, do que nutre o corpo e pode servir para os cabelos. Nem sempre vai ter performance, mas é uma tendência global", afirmou a executiva da Natura.

Mel é novo queridinho

O kit de vinagre de maçã, da Salon Line - Reprodução
O kit de vinagre de maçã, da Salon Line
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A Salon Line, por exemplo, tem cerca de 400 produtos que seguem esta linha. São fórmulas com diferentes ingredientes, como vinagre de maçã, coco e manga, por exemplo.
"O consumidor mais informado quer truques fáceis, de receitas aprendidas em casa, que facilitam a vida. Muitas destas tendências vêm do mercado asiático, apesar de o mercado brasileiro se inspirar nos produtos norte-americanos", disse Kamila Fonseca, gerente de Marketing da Salon Line.
Segundo a executiva, o mel desponta como novo queridinho das consumidoras.

Maionese (light) para o cabelo

A maionese capilar da Salon Line fez sucesso em 2017 - Divulgação
A maionese capilar da Salon Line fez sucesso em 2017
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Segundo Kamila, um dos produtos de mais sucesso da marca foi a maionese capilar, lançada em 2017.
Feita de uma mistura de azeite de oliva e óleo de abacate, possuía também proteína do ovo e contava até mesmo com uma versão light.
"Hoje investimos também em uma cocriação com as consumidoras comuns. São elas que sabem o que tornam a vida mais fácil", disse Kamila.

Xampu de chocolate com avelã

Um dos principais pilares da Cosmeceuta, empresa de cosméticos fundada em 2017, é o consumo consciente. A maioria dos seus produtos é vegano. Um dos destaques da empresa é sua linha masculina —que conta até com o "Condicionador Cerveja", com lúpulo e cevada.
Nubella, da Cosmeceuta, à base de creme de avelãs. Linha agora chama "Vcbella" - Reprodução
Nubella, da Cosmeceuta, à base de creme de avelãs. Linha agora chama "Vcbella"
Imagem: Reprodução
Em 2018, lançou a linha "Nubella", uma linha de xampu e máscara capilar à base de creme de avelã e cacau —ingredientes básicos da Nutella. O doce da Ferrero, inclusive, vai dentro do produto.
"Buscamos trazer um elemento de gastronomia para o mercado capilar. Na época, escolhemos a Nutella por causa das cargas hidratantes do cacau e da avelã", diz Victor Ricardi, diretor da Cosmeceuta.
Atualmente, o produto mudou de nome, para "Vcbella". Segundo a empresa, a mudança do nome aconteceu devido a uma estratégia de expansão da linha, que contará também com produtos de cuidados para pele a partir do mês que vem.

Embalagens de açaí e sorvete

Não são só os alimentos dentro das fórmulas que chamam a atenção. As marcas também têm apostado em embalagens diferentes.
A Be(m)dita Ghee aposta em embalagens iguais às de sorvete - Divulgação
A Be(m)dita Ghee aposta em embalagens iguais às de sorvete
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Por exemplo, a Be(m)dita Ghee, marca da Lola Cosméticos, nasceu com essa vocação para novas embalagens. Segundo Fernanda Pontes, gerente de Marketing da companhia, no começo as embalagens —coloridas e com uma linguagem diferente— serviam como diferenciação.
"Já lançamos produtos em potes de açaí ou parecidos com sorvete. Isso gera curiosidade dos consumidores", afirma. Para ela, as embalagens geram também uma empatia maior do consumidor.
Também vemos que as pessoas querem embalagens reutilizáveis, como a nossa caneca de vidro, que se torna até colecionável. As pessoas têm mais carinho pelos produtos.
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