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Cronos é o último: por que câmbios automatizados caminham para morrer

Cronos é o único modelo 0km à venda no país com câmbio automatizado - Murilo Góes/UOL 
 
Foi no fim dos anos 2000 que uma solução mais barata aos câmbios automáticos se popularizou no Brasil. Os câmbios automatizados tomaram conta da indústria nacional e várias montadoras abraçaram a ideia. Fiat, Chevrolet, Volkswagen e Renault foram algumas delas.
Só que os anos passaram, o custo de produção dos câmbios automáticos caiu por conta da maior demanda por este equipamento e os automatizados foram deixados de lado.
Hoje, o Fiat Cronos 1.3 (vendido por R$ 66.690) é o único modelo equipado com a controversa transmissão, que nunca caiu no gosto de uma parcela de motoristas por conta dos solavancos causados pelo sistema - que, é bom frisar, é bem diferente de uma caixa automática.

Quais são as diferenças?

Câmbio GSR do Fiat Cronos é acionado por botões - Murilo Góes/UOL
Câmbio GSR do Fiat Cronos é acionado por botões
Imagem: Murilo Góes
Um câmbio automatizado é muito semelhante a uma transmissão manual. Embreagem e câmbio, inclusive, são idênticos. A diferença está na presença de dois sistemas auxiliares, que podem ser eletrohidráulicos ou totalmente eletrônicos. Um deles desacopla o motor da transmissão, enquanto o outro engata as marchas.
O sistema eletrohidráulico FreeChoice, fabricado pela Magneti Marelli, é o mais popular no mercado e equipava modelos de Fiat (conhecido pelos nomes Dualogic ou GSR) e Volkswagen (cujo nome comercial era I-Motion). Uma central eletrônica de transmissão gerencia o sistema, que atua em conjunto com a central eletrônica do motor e determina a marcha mais adequada de acordo com condições como velocidade e pressão no pedal de acelerador.
Já o sistema 100% eletrônico foi produzido pela ZF Sachs e possui três motores elétricos de corrente contínua, responsáveis por administrar o acionamento da embreagem, seleção e engate das marchas. Não há contato mecânico entre alavanca de câmbio e caixa da transmissão, e um módulo de controle atua com o módulo do motor, que determina qual marcha engatar de acordo com a velocidade do veículo e a pressão no pedal de acelerador. Os Renault Sandero e Logan utilizavam este tipo de transmissão, chamada pela marca de Easy-R.

Cuidado com os trancos

Stilo foi um dos carros automatizados mais famosos da Fiat - Divulgação
Stilo foi um dos carros automatizados mais famosos da Fiat
Imagem: Divulgação
Um dos principais problemas dos câmbios automatizados é o funcionamento pouco suave, especialmente nos primeiros modelos. Quem já dirigiu os primeiros modelos equipados com câmbio Dualogic deve se lembrar dos trancos nada suaves a cada troca de marcha.
Mas isso não era exclusividade da caixa fabricada pela Magneti Marelli. Pelo menos os trancos diminuíam consideravelmente se o motorista tirasse o pé do acelerador a cada troca de marcha. Bastava apenas identificar o momento em que a caixa realizava as trocas.
Câmbio automatizado ficou conhecido pelos solavancos nas trocas de marcha - Divulgação
Câmbio automatizado ficou conhecido pelos solavancos nas trocas de marcha
Imagem: Divulgação
Outro problema que exigia adaptação por parte do motorista era na hora de estacionar, já que o veículo automatizado não se movimenta quando o condutor tira o pé do freio, como ocorre em um carro automático.
Sendo assim, o motorista precisava ter cuidado para não acelerar demais ao fazer uma baliza, por exemplo. Posteriormente, esse inconveniente foi corrigido com uma função chamada "creeping", na qual o carro se movimentava de forma mais suave sem a necessidade de acelerar demais.

Manutenção é mais cara

VW também apostou no câmbio automatizado, que equipou modelos como o Gol - Divulgação
VW também apostou no câmbio automatizado, que equipou modelos como o Gol
Imagem: Divulgação
Ao contrário do que muita gente pensa, a manutenção dos câmbios automatizados não é muito complicada. Entretanto, por conta dos componentes eletrônicos, o profissional precisa saber como mexer neste tipo de transmissão e possuir equipamentos adequados para tal.
Porém, o valor do reparo pode ser bem maior do que em um carro com câmbio manual devido ao maior custo de mão de obra, justamente por conta dos motivos citados acima.
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