Carne sobe menos, mas 'prévia da inflação' é a maior para janeiro em 4 anos

José Ignacio Pompé/Unsplash 


Puxado por uma desaceleração nos preços das carnes, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo 15), considerado uma prévia da inflação oficial (IPCA), variou 0,71% em janeiro, abaixo da taxa de 1,05% registrada em dezembro.
Apesar da desaceleração, esse é o maior resultado para um mês de janeiro desde 2016, quando o índice foi de 0,92%. Em janeiro de 2019, a taxa foi de 0,3%.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,34%, acima dos 3,91% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com isso, a inflação passa a ficar acima do centro meta do governo para este ano, que é de 4% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, ou seja, podendo variar entre 5,5% e 2,5%.
Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Preço da carne sobe em ritmo mais lento

A desaceleração do IPCA-15 foi puxada pelas carnes, que passaram de uma alta de 17,71% em dezembro para 4,83% em janeiro. Ainda assim, o item teve novamente a maior contribuição individual sobre o índice, com 0,15 ponto percentual (p.p.).
Os preços das frutas (3,98%) e do frango inteiro (4,96%), porém, aceleraram na comparação com dezembro.
No lado das quedas, o destaque ficou com a cebola, com -5,43% de variação e impacto de -0,01 p.p. no resultado do mês.

Juros x inflação

Para tentar controlar a inflação, o Banco Central pode usar a taxa de juros. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e estimular a queda de preços. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para impulsionar o consumo.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária do BC decidiu reduzir taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 5% para 4,5% ao ano. É a menor taxa desde que o Copom foi criado, em 1996.

Metodologia

O IPCA-15 refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, considerada a inflação oficial; a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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