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Será difícil impedir a legalização do plantio de maconha

 

A decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de liberar produtos à base de Cannabis em farmácias causou reações na sociedade que são emblemáticas da polarização que vive o país. Um grupo achou a decisão 1 erro que ajudará a favorecer o consumo de drogas ilícitas. A essas pessoas, o governo fez 1 aceno, ao ressaltar que a decisão foi de uma agência reguladora independente, não do Executivo. Ressaltou, portanto, que isso não foi resultado de uma política do Planalto.
Outro grupo achou a decisão conservadora e comedida, pois não se permitirá o cultivo do produto no país. O ministro Osmar Terra (Cidadania) disse que o governo fará todos os esforços para impedir que isso aconteça 1 dia. Quando for liberado o plantio, na avaliação de Terra, ficará muito difícil limitar o consumo recreativo da maconha, que tem a Cannabis como princípio ativo.
Terra argumenta que toda a campanha para o uso de medicamentos à base de Cannabis é apenas uma desculpa para buscar a legalização do consumo recreativo da droga, a exemplo do que já ocorre em países como o Uruguai e vários estados norte-americanos.
Entre os 2 polos, porém, está o pragmático e articulado setor do agronegócio. Não há uma posição hegemônica nesse grupo hoje, é bom que se diga. Mas o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP) chamou atenção e para a contradição entre o fato de o uso de 1 produto ser permitido no país, ainda que restrito a medicamentos, e não se poder cultivar a planta do qual é extraído.
Evangélico, Pinato é contra o uso recreativo da maconha. Acha que, se isso for legalizado, crescerá o número de pessoas com dependência química no país, e, na esteira, o número de homicídios. Ele acha, porém, que é possível fiscalizar o cultivo para que seja destinado apenas à indústria farmacêutica. Menciona também a utilidade das fibras da planta para a indústria têxtil.
O interesse, porém, é bem maior do que isso. O mercado global de maconha é estimado em US$ 150 bilhões em estudos citados pelo site de notícias do setor Greenfund. E em 2028 poderá chegar a US$ 272 bilhões. Exportar maconha não seria fácil. Mesmo em locais onde o consumo é liberado, há restrições à importação. Mas é 1 prognóstico razoável acreditar que as restrições tendem a diminuir com o tempo.
Pinato, membro da Frente Parlamentar da Agropecuária, a maior do Congresso, argumenta que o plantio controlado da maconha poderia resultar na criação de empregos e no aumento da renda da agricultura familiar. Isso, aliás, é algo que a frente destaca com frequência ao defender o plantio de fumo, outro produto estigmatizado, por agricultores do Rio Grande do Sul. Seria impossível a eles conseguir renda semelhante com outra cultura.
Caso o plantio controlado da maconha venha a ser uma bandeira do agronegócio, será muito difícil impedir sua legalização.
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