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Flamengo aumenta dívida do clube em 31%

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O investimento forte em contratações na temporada resultou em um aumento de dívida do Flamengo em torno de R$ 80 milhões considerado o valor líquido. Esse incremento estava previsto pela diretoria rubro-negra que agora prepara uma desaceleração nos gastos para o próximo para reduzir o débito até o final de 2020. O nível de endividamento continua controlado abaixo da receita de um ano do clube, por isso, especialista não veem motivo para preocupação.

Os números constam do balancete financeiro até setembro de 2019 que abrange todos os investimentos rubro-negros neste ano. Esses dados indicam uma receita recorde para o ano para um clube brasileiro, turbinada principalmente pelas vendas de jogadores. Vamos aos números.

A receita rubro-negra atingiu R$ 652 milhões nos nove primeiros meses do ano. Desse total, foram R$ 295 milhões obtidos com vendas de jogadores, incluindo Lucas Paqueta, Jean Lucas, Léo Duarte, Cuellar, como os nomes mais representativos. Assim, o EBITIDA (lucros antes de impostos e amortizações) girou próximo de R$ 200 milhões. Ou seja, havia dinheiro em caixa para o clube gastar.

Do total, foram destinados R$ 234 milhões para a aquisição de jogadores, incluindo aí direitos federativos, luvas e comissões em todas as operações. As negociações mais caras foram de Arrascaeta, Gerson e Bruno Henrique. Jogadores como Rafinha e Filipe Luís receberam luvas, que serão parceladas durante o período. Ou seja, gastou-se menos do que entrou em dinheiro de transferências e o clube parcelou os pagamentos.

No total, o Flamengo ainda tem que pagar R$ 161 milhões das transferências, o que explica a maior parte do crescimento da dívida. Além disso, houve mais dois fatores: o incêndio do Ninho do Urubu que gerou uma provisão para contingências em torno de R$ 20 milhões, uma parte já paga, e o a quitação de uma dívida antiga com a prefeitura do Rio relacionado a ISS no valor de R$ 8 milhões.

Com todos esses efeitos, a Flamengo teve um aumento em torno de R$ 80 milhões em sua dívida líquida (isto é, a dívida bruta, menos o ativo). O valor era de R$ 398 milhões ao final de 2018 e passou para R$ 478 milhões. Para este cálculo, foi desconsiderada a contabilização das luvas da TV que tem mero efeito contábil no passivo.

A estratégia da diretoria do Flamengo foi acelerar bastante o investimento em 2019 para obter resultado esportivo revelante, e depois tirar o pé em 2020 para abaixar novamente o endividamento. A aposta na compra de Gabigol será provavelmente a única de grande patamar para o clube pelos planos atuais. O presidente rubro-negro, Rodolfo Landim, já tinha falado publicamente sobre o aumento de dívida. Internamente, ele tem segurado gastos extras para evitar descontrole.

"De fato, houve um aceleração no limite do que dava. Não vai poder repetir em 2020 o que foi feito em 2019. Se não tiver venda de jogador, vai ser um ano mais justo. Não é algo que preocupe", explicou o analista financeiro César Grafietti.

É esse o pensamento dentro da diretoria rubro-negra. Há previsão de redução da receita porque não será possível repetir a venda de jogadores desse ano, portanto, será necessário se ajustar às rendas correntes. Existe inclusive a preocupação de deixar claro que o Flamengo não é um clube milionário com capacidade infinita de investimento.
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