Bolsonaro pede que parlamentares votem com “religião” e com “independência”

O presidente Jair Bolsonaro participa de um culto de ação de graças no Palácio do Planalto - MATEUS BONOMI/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO 


Um dia depois de reclamar de mudanças que a Câmara fez num projeto sobre trânsito enviado ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que os parlamentares devem "produzir a felicidade, com religião, votando de forma independente".
As afirmações foram feitas na noite de hoje, em um culto evangélico de ação de graças realizado no Salão Branco do Palácio do Planalto para uma plateia de políticos e religiosos.
"Queremos, e é o nosso dever, parlamentares, produzir a felicidade e construir nós conseguiremos com lealdade, com ética, com religião, respeitando o próximo, votando de forma independente, ouvindo a sua consciência e tendo o seu entendimento sobre a matéria, nós revolucionaremos o Brasil", afirmou.
Bolsonaro mencionou os parlamentares três vezes em seu discurso no culto. "Vi aqui ex-deputado, velhos parlamentares, jovens parlamentares. Ah, se vocês soubessem o poder que vocês têm. Me desculpem, parlamentares. Muitos não sabem o poder que têm. O poder de mudar o mundo e transformar o nosso Brasil." E continuou: "Meus amigos parlamentares, temos tudo para mudar o Brasil."
O presidente também fez menção ao escritório comercial inaugurado em Jerusalém, em Israel, e à relação econômica com os povos árabes, estremecida quando foi anunciada uma possível embaixada na antiga capital israelense.
Ele comparou as características do Brasil com as de Israel. "Olhe o que eles não têm e veja o que eles são. Olhe o que o Brasil tem o que o Brasil não é."

Bolsonaro leu oração do rei Davi

A oito dias do Natal, o presidente participou do culto de ação de graças no Palácio do Planalto, acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Havia cerca de 600 pastores no Salão Branco do Palácio do Planalto, segundo o pastor Fontenele, que discursou no evento. Ele disse que o culto era um "ato profético inédito na história da República". Já houve, porém, ao menos uma outra celebração evangélica na Presidência na gestão Bolsonaro. Durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), havia cultos ecumênicos no Planalto com presença de pastores evangélicos, padres e guias espíritas.
Hoje, logo no início da cerimônia, e antes mesmo da tradicional execução do hino nacional, Bolsonaro leu um texto da Bíblia. Era uma oração do rei Davi.
O texto recitado pelo presidente estava no capítulo 29 do primeiro livro de Crônicas, que relata a história de Israel. O contexto mostra Davi em seus últimos dias de vida pouco antes de passar o trono para o filho Salomão, que governou durante o que foi, segundo o Velho Testamento, o período mais próspero dos israelenses.

Damares diz que "novo tempo" chegou ao Brasil

A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, fez uma oração, na qual disse que "chegou um novo tempo no Brasil".
O pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus citou a "Amazônia, tão bem preservada por Deus e pelos brasileiros". Recentemente foi divulgado que a área desmatada na região aumentou 84% entre janeiro e novembro deste ano em relação ao mesmo período de 2018.
O bispo Renato Cardoso, da Igreja Universal, representou Edir Macedo, que está em viagem ao exterior. O pastor e ex-deputado Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, afirmou a Bolsonaro: "Deus está honrando o seu governo". "Seu coração é um coração de gratidão", continuou.
O pastor e ex-deputado Mário de Oliveira (PR-MG), da Igreja Quadrangular, disse que o governo melhorou a economia. Como prova, ele mencionou que viu filas em shoppings para comprar roupas, almoçar e lanchar, além de quantidade maior de pessoas nas estradas viajando. "Pude ver muito mais pessoas felizes, alegres", disse Oliveira.
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