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Recuperação é lenta e PIB será limitado

 

O Brasil segue em lenta recuperação econômica e deve demorar para alcançar 1 PIB (Produto Interno Bruto) mais vigoroso mesmo diante das reformas econômicas e a melhora dos indicadores da economia. Nesse contexto, o país deve ter o crescimento limitado pela desaceleração da economia global. A avaliação é do economista do banco Votorantim, Carlos Lopes, 31 anos, em entrevista.

Ainda que observe a retomada da atividade econômica, o analista avalia que o país não deve passar incólume à queda da demanda das potências mundiais, em especial os que são parceiros comerciais importantes do Brasil, como a China, Estados Unidos, Argentina e países europeus.

Neste ano, o PIB deve manter 1 avanço de até 1% e expandir para 2% em 2020 e 2,5% nos 2 anos seguintes. Esse é 1 percentual menor que o observado em relação à economia global, que é de 3% neste ano e 3,4% em 2020, segundo o mais recente relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Ao mesmo tempo, Lopes afirma que os investidores devem ter uma atuação mais cautelosa em relação ao Brasil. Se de 1 lado, os agentes econômicos internacionais aguardam para ver os efeitos reais das reformas econômicas, a situação geral de desaceleração econômica da América Latina e a instabilidade política e social do continente não devem ser retirados de equação por parte dos investidores.
Eis alguns trechos da entrevista:

Como o senhor avalia a lenta recuperação da economia brasileira e que tipos de entraves poderemos observar para que o Brasil volte a crescer com mais força?
Carlos Lopes: Vamos demorar para chegar aos níveis pré-crise e retomar a normalidade e o potencial da economia. Eu daria tom mais otimista para atividade econômica, porque, diferente dos últimos meses, os indicadores recentes têm mostrado uma melhora disseminada nos setores econômicos de forma mais consistente. Concordo com a avaliação de que é uma recuperação lenta, talvez a mais lenta que já tenhamos tido. Mas, olhando os números mais recentes ficamos mais confiantes.
E  quais os principais entraves a esse crescimento mais forte da economia?
No ano que vem, apesar do otimismo, não teremos 1 crescimento muito forte. Os 2% que projetamos estão limitados mais pelo desempenho do setor externo do que pela demanda doméstica. Vimos uma parte importante dos países mais relevantes na pauta de exportação –EUA, China, países da Europa e a Argentina–desacelerarem, o que atrapalha bastante. Se não fosse isso, a gente cresceria mais próximo de 2,5%. Temos alguns limitadores locais, como o mercado de trabalho em ajuste bem gradual e empresas com muitas dificuldades financeiras com capacidade muito ociosa.
Há alguma alternativa para enfrentar a queda da demanda por exportação. O governo pode diversificar mais seus parceiros comerciais?
Não tem muita saída nesse sentido. É uma preocupação correta [diversificar parceiros] a longo prazo. Mas não é algo que vai mudar o panorama no curto prazo. A pauta dos países continuara a mesma. Acordos não mudam facilmente a balança comercial de 1 ano para o outro, e os países vão crescer menos do que em 2019. É 1 pouco inevitável ficarmos sujeitos a esse desempenho.
O processo de reformas econômicas não pode ajudar no sentido de alavancar a economia, apesar da pauta externa?
A lentidão do crescimento não está sendo causada por falta de reformas. O que estamos fazendo no momento na pauta econômica já é o suficiente para a retomada. Não estou dizendo que aumentará nossa capacidade de crescer, mas falta fazer mais reformas.
A ampla agenda econômica apresentada pelo governo mostra uma falta de prioridade? Não pode dificultar a aprovação de novas medidas?
Não vejo que está faltando muita coisa sobre a estratégia de colocar uma agenda ambiciosa. Faz parte dessa nova forma de relação com o Congresso. A estratégia é de fato distribuir papéis importantes para uma parcela maior do Congresso. Obviamente, deixa a situação mais conturbada discutir várias pautas ao mesmo tempo, mas o Congresso mostrou nos últimos anos que têm conseguido priorizar algumas pautas em detrimento de outras. É 1 processo natural.
 O cenário na América Latina também atrapalha?
Essa instabilidade política que vemos não é coincidência. Vários países aproveitaram o superciclo das commodities e, na medida que ciclo terminou, todas essas economias precisaram reagir para sustentar o crescimento e começaram a aumentar gastos. O Brasil, nesse momento, estava com o cobertor mais curto e a restrição bateu antes na gente, e ficamos em recessão. Nos outros países, houve mais tempo de folga e agora chegou-se a 1 momento de necessidade de ajustes. E ajustes são impopulares.
Como isso afeta o Brasil?
Os investidores internacionais costumam olhar para mercados emergentes como 1 pacote. Não se olha especificamente para 1 ou outro país. O Brasil se destaca por estar caminhando com as reformas o que, por outro lado, ainda não se traduziu em crescimento. O investidor internacional, que já se decepcionou com a recuperação lenta, não se antecipará à vinda do crescimento enquanto a agenda de reformas, de fato, não se traduzir em crescimento. Enquanto isso não acontecer, continuaremos sendo vistos no conjunto dos países da América Latina.
Diante desse cenário de recuperação lenta e desafios externos, como podemos esperar o comportamento do mercado de trabalho?
Se olharmos os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que é do mercado de carteira assinada, o emprego vem em uma recuperação bastante consistente. Não é 1 ritmo de criação de emprego historicamente alto, mas já é uma recuperação bastante consistente que tende a continuar no ano que vem.