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O que acontece se um avião tem uma emergência enquanto sobrevoa um oceano?

Em voos do Brasil para a Europa, aviões estão a, no máximo, duas horas de algum aeroporto - Divulgação 

Em voos transcontinentais, os aviões precisam sobrevoar por horas o oceano, o que é um dos maiores temores dos passageiros com medo de voar. Afinal, o que acontece se houver uma emergência?
Mesmo em casos graves, quando um dos motores deixa de funcionar, os aviões têm condições de voar com apenas um motor. O tempo de voo permitido nessas condições depende do modelo do avião e da companhia aérea. Em geral, são três horas, mas alguns aviões podem voar mais de seis horas mesmo com algum problema.
O que pode assustar muitos passageiros é que, em viagens do Brasil para a Europa, os aviões passam muito mais tempo sobre o oceano Atlântico. Em uma viagem de São Paulo a Londres (Reino Unido), por exemplo, das quase 11 horas de voo, o avião chega a passar quase oito horas sobre o oceano.

Mais perto de um aeroporto do que você imagina

No caso de uma emergência na rota entre São Paulo e Londres, o avião está a, no máximo, duas horas de algum aeroporto. Em outras rotas sobre outros oceanos, na maioria dos casos o tempo máximo é de até três horas.

Avião chega a passar quase oito horas sobre o oceano em uma viagem de São Paulo a Londres - Reprodução/FligthRadar24
Avião chega a passar quase oito horas sobre o oceano em uma viagem de São Paulo a Londres
Os voos deixam o território brasileiro geralmente por Fortaleza (CE). Um aeroporto alternativo no meio do oceano costuma ser o da Ilha do Sal (Cabo Verde). Entre Fortaleza e a Ilha do Sal, a viagem dura cerca de quatro horas. Quando está no meio do caminho, o avião está a duas horas de um dos dois aeroportos, tempo suficiente para um pouso seguro, em caso de pane em um dos motores.
Depois de passar pela Ilha do Sal, o avião sobrevoa o oceano próximo à costa da África e da Europa, com tempo ainda menor de voo até algum aeroporto.

Cheiro forte é principal causa de pouso de emergência

Apesar de o maior temor dos passageiros ser por uma eventual falha crítica dos sistemas de voo, a maior parte dos pousos de emergência é causada por outros fatores. Segundo levantamento do site "Global Incident Map", uma das causas mais comuns para pousos de emergência são odores fortes na cabine e problemas nos banheiros do avião.
Uma situação mais crítica é quando algum passageiro passa mal a bordo. Os comissários prestam os primeiros socorros. Se o passageiro apresenta alguma situação crítica, como infarto ou AVC, por exemplo, o piloto desvia o voo para o aeroporto mais próximo. Sobrevoando o oceano, na pior das hipóteses, o passageiro terá de esperar cerca de duas horas para ser atendido com mais recursos.

Certificação para voar com falha em motor

O Boeing 767 foi o primeiro jato comercial bimotor a receber a certificação que permite estar a mais de uma hora de voo de algum aeroporto. Até então, apenas aviões com três ou quatro motores tinham essa autorização.
O avião, no entanto, demonstrava ser seguro para voar por mais tempo mesmo que houvesse pane em um dos motores. Depois de diversos testes, a FAA (órgão regulador de aviação nos Estados Unidos) autorizou o avião a voar distante até duas horas de algum aeroporto.
Essa nova certificação ganhou o nome de Etops (operações de alcance prolongado com aviões bimotores, na sigla em inglês) e determina o tempo máximo que um avião pode estar longe de algum aeroporto, variando de 120 minutos até 370 minutos. Atualmente, inclui aviões com mais motores e passou a ser chamada apenas de operações de alcance prolongado.
Para receber essa permissão, as fabricantes precisam comprovar quanto tempo o avião consegue voar com apenas um motor. Em um voo de teste de 13 horas entre Seattle (EUA) e Taipei (Taiwan), o Boeing 777-300ER, por exemplo, ficou cinco horas e meia voando com apenas um motor para receber a certificação Etops 330.
Não basta, porém, o avião comprovar essa capacidade. As companhias aéreas também precisam atender a certos requisitos para ter essa permissão. Entre as exigências, estão treinamento especial dos pilotos e mecânicos, padrões mais rígidos de manutenção e planos de contingência caso ocorra alguma emergência.