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Xiaomi terá que ir além dos apaixonados Mi Fãs para ter sucesso no Brasil

 

Mais de 3 mil pessoas ficaram em enorme fila que dobrava as ruas do entorno de um shopping numa manhã de um sábado tipicamente paulistano: de tempo nebuloso com chuvas pontuais. Empolgados, os fãs esperaram até 45 horas para acompanhar a inauguração da loja no Shopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Difícil dizer que o retorno da Xiaomi ao Brasil  após um período de hiato não está sendo um sucesso.
Porém, dentro da loja, alguns produtos fogem daquilo que sempre foi premissa da companhia chinesa, ou seja, qualidade capaz de competir em pé de igualdade com os principais players da indústria e preços extremamente competitivos.
Salvo algumas promoções e descontos, como nos casos do Mi 9, do Redmi Note 7 e da Mi Band 3, o que se viu foi uma Xiaomi vendendo seus produtos com o tão famoso custo Brasil. O Pocophone F1, smartphone queridinho daqueles que gostam de importação, custa na loja R$ 2.999 na versão 6GB / 128 GB na cor preta. O Mi 8 Lite, versão intermediária do flagship de 2018 da Xiaomi, a R$ 2.499.
Cerca de dez quilômetros distante do Shopping Ibirapuera, em um local de comércio popular na mesma cidade, a Rua Santa Ifigênia, o mesmo Poco F1 custa pouco mais da metade disso, em torno de R$ 1650, enquanto o Mi 8 Lite pode ser encontrado por pouco mais de R$ 1000.
Obvio que na versão comprada oficialmente, existe assistência técnica, garantia, software dedicado e suporte da Anatel. Contudo, trata-se o mesmo aparelho. Destaca-se que, neste preço, contam fatores como lotes importados, processos de homologação, os custos da operação da loja física e online, impostos e assistência técnica, além da parceria com a DL, que lidera a operação da gigante chinesa no Brasil. .
A questão que fica é: com esses preços, a Xiaomi será um player competitivo em um acirrado mercado de smartphones, em que apenas uma empresa, a Samsung, detêm 48% do mercado no país?
Você provavelmente tem um amigo Mi Fã, que adquiriu um aparelho da Xiaomi e se apaixonou por ele, se é que você não é o próprio. Esses advogados da marca, que a elogiam em comentários e qualquer discussão sobre qual smartphone comprar, sempre lembram que um Xiaomi faz o mesmo que qualquer outro concorrente de outras marcas pela metade do preço, independente de ser um basicão, intermediário ou top de linha.
Esses, que ajudaram a lotar o Shopping Ibirapuera, via de regra já possuem um dispositivo da Xiaomi. Esses continuarão importando ou adquirindo seus smartphones Mi em marketplaces que oferecem preços semelhantes aos importados. Ou seja, o foco está naqueles que não conhecem a marca e acabam comprando aparelhos de marcas que já operam regularmente no Brasil, como a própria Samsung e a Motorola.
Só que, nessa guerra, a Xiaomi teve de igualar os preços das concorrentes e conta com a desvantagem de ser menos conhecida que as outras. Assim, a gigante chinesa perde, no comparativo, sua principal vantagem, o preço. O custo Brasil tirou da Xiaomi aquilo que a definia: produtos de qualidade não precisam ser caros, um dos slogans da empresa.
Como exemplos, Galaxy S10 e iPhone XS foram lançados globalmente com preços de US$ 999, enquanto o Mi 9, concorrente dos dois primeiros, custa R$ 699. A diferença de US$ 300 não se aplicará ao Brasil.

Quando o hype pelo retorno passar, ficará um desafio para a Xiaomi. Prosperar no Brasil sem apostar todas as suas fichas em seus volumosos (em quantidade e decibéis) Mi Fãs.

  • O Redmi Note 7 está disponível na Extra por R$ 1.399. O custo-benefício é bom e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço.
  • O Xiaomi Mi 8 Lite está disponível na Pontofrio por R$ 1.179. O custo-benefício é ótimo e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço.
  • O Xiaomi Pocophone F1 está disponível na Extra por R$ 1.712. O custo-benefício é bom e esse é um dos melhores modelos nessa faixa de preço.