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Como foram as últimas horas de Neymar antes de corte na seleção brasileira

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Neymar viveu um turbilhão de emoções dignas de um roteiro de minissérie. Entre a chegada no hotel da seleção em Brasília, por volta das 23h de ontem, e a notícia do seu corte, às 2h de hoje, o camisa 10 experimentou o apoio e a histeria do torcedor, a apreensão de ver o depoimento de Najila em rede social e a decepção de deixar mais uma competição por causa de lesão.
A chegada com festa

O roteiro começa no seu desembarque na capital do país. A apreensão tomava conta da seleção: afinal, como o torcedor receberia o jogador em meio às acusações de estupro? A resposta foi a melhor possível, com direito a música personalizada da torcida e uma das recepções em porta do hotel mais calorosas desde a Copa do Mundo.

Neymar ficou feliz. Mesmo que com um sorriso ainda preso, ele parou para atender aos fãs, tirou fotos, deu toques nas mãos dos cerca de 100 torcedores que quase madrugavam na porta do hotel e foi dormir um pouco mais aliviado em relação à pressão que sofria.
O dia nas redes sociais

Pela manhã, o atacante do PSG acordou para tomar o seu café da manhã e recebeu os familiares e amigos. Seu pai esteve na concentração da seleção brasileira e manifestou o apoio que tem sido rotineiro nestes últimos dias dominados pelas acusações de estupro. Do hotel, também recebeu a mensagem do presidente Jair Bolsonaro.

Com a tarde livre, tentou esquecer um pouco do clima pesado que vivia extracampo e dedicou alguns minutos para fazer uma homenagem a Gianluigi Buffon em suas redes sociais, com direito a frase em italiano. O goleiro teve a sua saída anunciada do PSG. Foram mais de 1,3 milhão de curtidas.
Polêmicas voltam para a TV

Em seguida, foi a hora de ouvir a preleção de Tite e, em seguida, partir para o jantar. Ele voltou para a rede social, desta vez, para postar uma mensagem de agradecimento a Deus e a todos os seus amigos e familiares que mandaram mensagem de apoio.

Mal sabia ele o que estava por vir. Às 18h50, a TV Record divulgou um frame (que mais tarde se revelaria sensacionalista) que dava a impressão de que Neymar dava um chute no queixo de Najila. No momento, ele se preparava para deixar o hotel da seleção rumo ao Mané Garrincha. A imprensa, reunida na porta da concentração, questionou o coordenador de seleções, Edu Gaspar, se o incidente poderia mudar a situação do atleta. O vazamento era tão recente que o dirigente nem sabia do que se tratava.
Ida para o estádio

O camisa 10 foi o último a embarcar no ônibus e fez o rápido trajeto até o estádio ao lado de seus companheiros. Neste momento, o SBT preparava a exibição de uma entrevista exclusiva com Najila. Tão logo os atletas entravam no vestiário, a reportagem foi ao ar com uma narrativa que reforçava a acusação de estupro.

Neymar não pôde assistir ao depoimento. Em preparação para entrar em campo, ele subiu ao gramado para fazer o aquecimento e foi ovacionado pelos mais de 30 mil presentes. Não sem antes fazer mais um post em suas redes sociais exibindo o seu material preparado no vestiário. Depois, voltou ao vestiário para finalmente entrar em campo e enfrentar o Qatar.
O jogo e a lesão

A bola rolou e a cada toque dele o estádio dava praticamente um grito de gol. As arquibancadas pareciam tentar empurrar o camisa 10 para uma boa apresentação. A empolgação, no entanto, durou menos de 20 minutos. Depois de uma dividida, ele só ficou no campo até Richarlison abrir o placar. Após uma tímida comemoração, ele foi direto para o banco de reservas, sentou-se e começou a chorar. Ainda sem saber a gravidade da lesão, saiu carregado para o vestiário.

Foram necessários menos de 10 minutos no vestiário para que um funcionário da CBF saísse em busca de uma van. Os motoristas contratados no momento, acompanhavam ao jogo diretamente das arquibancadas e precisaram descer correndo de volta para o vestiário. Ao chegarem na garagem na porta do vestiário, tomaram uma bronca de um dos responsáveis pela logística: "eu quero que todos vocês fiquem aqui. Vem um comigo e coloca a van ali", disse ele apontando para a porta do vestiário.

A dura foi o sinal para a imprensa perceber que a situação era grave. Em questão de segundos, câmeras, microfones e muitos celulares se aglomeraram na porta do vestiário. O amontoado precisou ser aberto por Neymar pai e Gallo, seu assessor que foi indicado no B.O. como o responsável pela intermediação com Najila para a ida à França.

Não é normal que familiares frequentem o vestiário da seleção brasileira. Estava ali mais um sinal de que o que aconteceria ali não era tão simples. Logo em seguida, entraram no vestiário Edu Gaspar e outros membros da comissão técnica.

A ida para o hospital

Foram mais de 40 minutos de espera até que o assessor da CBF deixou o vestiário e fez um pedido para a imprensa: "ele vai sair aqui, vocês façam as suas imagens, mas, por favor, deixem a van sair depois". Neymar deixou o local de muletas, com o pé direito imobilizado e entrou no veículo acompanhado de membros da comissão técnica e seu pai.

Ele desembarcou de cadeira de rodas no hospital, fez os exames e, enquanto aguardava o resultado, recebeu a visita de Jair Bolsonaro. O presidente preferiu deixar o estádio e ir até a clínica a descer para o vestiário e cumprimentar os outros 20 atletas que ficaram no Mané Garrincha. A visita rendeu uma foto nas redes sociais que seriam seu último ato em Brasília. Já passava das 2h da manhã quando a CBF oficializou que Neymar não fazia mais parte da delegação que se prepara para a Copa América em casa.