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Ford vai manter produção no ABC Paulista até novembro

Rodrigo Paiva/Folhapress 

Cerca de duas semanas após noticiar os resultados de mais um "enxugamento de quadro" -- com o PDV (Programa de Demissão Voluntária) na fábrica de motores de Taubaté (SP) --, a Ford realiza o evento de lançamento da linha 2020 de Ka e EcoSport nas versões Freestyle, que são muito procuradas no mercado pelo custo-benefício. Mas ainda não vamos falar dos carros.

A fábrica de São Bernardo do Campo (SP) seguirá com a produção no local até novembro deste ano. A unidade do ABC é responsável pela entrega do hatch compacto premium Ford Fiesta e pela linha de caminhões da marca norte-americana (linha Cargo, além dos utilitários F-350 e F-4000).
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Ambas linhas de produção já estavam com os dias contados desde fevereiro: sobre caminhões, a Ford comunicou a falta de interesse em manter-se no segmento de pesados; já o encerramento da linha Fiesta segue planos globais de redução das linhas de carros de passeio para apostar em SUVs e picapes.

Após o encerramento das linhas de produção no ABC, a Ford ainda manterá a equipe administrativa no local, que tem cerca de 1.000 pessoas, pelo menos até março de 2020, em uma espécie de transição e "desligamento" das operações.

Após esse prazo, o futuro da unidade paulista é incerto. Apesar de haver negociações com o governo estadual e até mesmo com o Grupo Caoa, além de outras duas empresas, nada de concreto foi assinado até o momento.
Corte em todo o mundo pode ir além do esperado

Com os planos de manter São Bernardo do Campo ativa por mais alguns meses, a Ford segue com menos da metade do quadro original naquela que era sua mais antiga fábrica -- no começo deste ano, a unidade contava com 2.800 trabalhadores diretos.

Em cerca de quatro meses, a fabricante anunciou ainda dispensa de pelo menos 160 trabalhadores em Taubaté -- que faz motores de Focus e Fiesta (modelos em extinção), além de Ka e Ecosport (ativos e com novas versões chegando). Lá, empregava 1,3 mil pessoas.

Também houve cortes, novamente por PDV, em Camaçari, mas com número mantido em sigilo pela Ford.

Todas as demissões e o encerramento de linhas de produção fazem parte de plano global de reestruturação coordenado pelo CEO global Jim Hackett. Pela ação, a Ford prevê corte de até US$ 25,5 bilhões em custos até 2022, com ampliação de margem de lucro a 8. Esse plano, porém, está sendo criticado até mesmo no exterior.

Cortes mal explicados?

Segundo a direção global da Ford, até setembro cerca de 7 mil vagas terão sido encerradas em todo mundo. Somente para 2019, a previsão é de cortar US$ 600 milhões em custos. O andamento atual dos ajustes já fez as ações da empresa valorizarem 30% em quatro meses. Por outro lado, as vendas caíram 10% no planeta -- e esse índice pode se elevar.


Mais: analistas apontam que os cortes propostos pela Ford podem não ser suficientes para chegar ao objetivo proposto. Há quem aponte que mais de 23 mil postos de trabalho precisarão ser encerrados para tal. E as consequências de um enxugamento de pessoal nestas proporções são difíceis de se mensurar.

O futuro?

Além de apostar em produtos específicos -- como o compacto Ka, um dos líderes do mercado nacional, a Ford sonda o mercado brasileiro para a adoção de linha de SUVs médio-compacto (o Escape 2020 é forte candidato) para ocupar o lugar do Focus. Há ainda planos de ter outro SUV médio para atender o mercado oriundo dos sedãs (Territory volta a ganhar força), além da nova geração do compacto EcoSport (em mais ano e meio) e mesmo de um novo modelo compacto para atrair os órfãos do Fiesta.