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Pescadores são resgatados em ilha cheia de serpentes em Itanhaém (SP)

Reprodução/YouTube 

A Ilha da Queimada Grande, no litoral sul de São Paulo, é infestada por milhares de cobras, principalmente jararacas-ilhoa (Bothrops Insularis), que têm veneno cinco vezes mais potente que o da jararaca comum. O acesso à ilha é proibido pela Marinha  .

Quatro pescadores náufragos foram resgatados por um barco com mergulhadores, no fim da tarde de ontem (2) depois de ficarem três dias num costão da Ilha da Queimada Grande, a 35 km da costa de Itanhaém, no litoral sul do estado de São Paulo.

A ilha é conhecida como habitat natural da jararaca-ilhoa, uma das serpentes mais venenosas do Brasil - a pessoa atacada geralmente morre após duas horas. Outros dois ocupantes da embarcação que afundou estão desaparecidos. A Marinha do Brasil e o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) retomaram as buscas hoje. Os pescadores tinham saído de Santos na quarta-feira (27), no barco Oldemar II, em direção ao sul.

Quando já haviam navegado cerca de 60 km e estavam próximos da Queimada Grande, eles pegaram uma tempestade e uma sequência de ondas altas fez com que o barco de 24 m de comprimento virasse. Enquanto a embarcação afundava rapidamente, quatro pescadores se lançaram ao mar e conseguiram nadar até a ilha. Os outros dois não foram vistos pelo grupo.

Conforme o relato dos sobreviventes, sabendo da existência das cobras, eles permaneceram nas pedras do costão, alimentando-se de bananas colhidas numa borda de mata e bebendo água da chuva.

Três dias após o naufrágio, um operador de mergulho que levava um grupo de oito turistas da capital avistou os náufragos no costão da ilha, acenando com pedidos de ajuda. O instrutor de mergulho Wanderley Aparecido Justi Junior (31) coordenou a operação de resgate.

Um a um, os homens foram pulando na água e sendo recolhidos ao barco dos mergulhadores. Foram salvos os pescadores Elenilson Nascimento da Silva, de 32 anos, Ivan Bezerra da Silva, 38, Manoel Câmara, 32, e Iranildo Cardial, de 50. Os dois desaparecidos têm 38 e 60 anos.

O barco dos mergulhadores levou os náufragos à orla de Itanhaém. Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levaram os sobreviventes a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.

Eles foram atendidos e receberam alta. Como o barco de pesca costuma ficar uma semana no mar, os serviços de salvamento só foram acionados depois de os náufragos terem sido localizados.

O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e a Capitania dos Portos de São Paulo da Marinha do Brasil mobilizaram equipes para as buscas dos dois pescadores desaparecidos. Um inquérito vai apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo naufrágio.

Desde 1984, a Ilha da Queimada Grande é considerada Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Desabitada, a ilha tem acesso restrito a funcionários do instituto e cientistas autorizados pela instituição. É considerado um dos piores lugares do mundo para visitação, por causa da ausência de praias, já que todo o entorno é dominado por costões, e à presença da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) que, por se alimentar principalmente de aves, aprendeu a subir em árvores. É considerado um dos maiores serpentários naturais do mundo, com cerca de 2,5 mil cobras.