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Ciclone Idai que atingiu sul da África pode ter matado mais de 1 mil em Moçambique

Jon Eeg/NTB Scanpix/via Reuters 

A passagem do ciclone Idai pelo sul da África destruiu casas, hospitais, estradas e deixou centenas de mortos e desaparecidos. Moçambique, Zimbábue e Malauí são os países mais atingidos.

O Idai originou-se de uma depressão tropical que se formou na costa leste de Moçambique no início de março e que foi ganhando força à medida que seguiu rumo ao continente.

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou em entrevista para uma rádio estatal que o número de vítimas do ciclone pode passar de mil - até o momento, a contagem oficial de mortos está em 84.

Depois de sobrevoar as áreas mais atingidas, o presidente moçambicano disse ter visto corpos boiando em rios. Nyusi classificou a destruição deixada pelo ciclone como um "verdadeiro desastre humanitário".

O governo de Moçambique estima que 100 mil pessoas precisam ser resgatadas e que outras 600 mil foram atingidas por enchentes, deslizamentos e desabamentos provocados pelo Idai.

Um levantamento aéreo feito pela ONG Save The Children mostra que uma faixa de terra de 50 km está submersa na província mais atingida pelo ciclone. A inundação foi causada depois que o rio Buzi transbordou.

A cidade que leva o mesmo nome do rio, onde vivem mais de 2,5 mil crianças, pode ficar completamente debaixo d'água em 24 horas, segundo alerta da Save the Children.

O governo do Zimbábue declarou estado de calamidade nas áreas afetadas pela tempestade. Até o momento, o país contabilizou 98 mortes e 217 desaparecidos. Entre as vítimas estão dois alunos de um internato, que morreram depois que o dormitório foi atingido por pedras que rolaram de uma montanha.

O presidente Emmerson Mnangagwa disse que o governo está conduzindo missões de resgate e entregando ajuda alimentar.
Início da tempestade

A tempestade provocada pelo Idai atingiu primeiro Moçambique. Com ventos de 177 km/h, o ciclone chegou na quinta-feira à cidade portuária de Beira. Mas as equipes de resgates só conseguiram acesso ao local no domingo.

Gerald Bourke, que trabalha com ajuda humanitária nas Nações Unidas, disse à BBC que todos os edifícios em Beira, onde vivem meio milhão de pessoas, ficaram danificados em maior ou menor grau.

"Nenhum edifício ficou intacto. Não há energia. Não há telecomunicações. As ruas estão cheias de linhas de eletricidade caídas. Os telhados de muitas casas desabaram, assim como as paredes. Muitas pessoas na cidade perderam suas casas", descreveu Bourke.

Pessoas em árvores

Socorristas passaram a noite resgatando pessoas de árvores, disse Jamie LeSeur, da Cruz Vermelha. A organização classificou a tragédia provocada pelo ciclone como "enorme e apavorante".

No Malauí, as enchentes, provocadas pelas fortes chuvas que caíram antes da passagem do ciclone provocaram deslizamentos e ao menos 122 mortes.

O governo do Reino Unido prometeu uma ajuda de 6 milhões de libras, o equivalente a R$ 30 milhões, a Moçambique e ao Maluí. Também disse que vai mandar barracas e abrigos a Moçambique.
Destruição em Beira

Primeiro país a ser atingido pelo ciclone, Moçambique viu 90 de sua segunda maior cidade ser destruída pelo Idai.

Mais de 1,5 mil pessoas ficaram feridas com quedas de árvores e de telhados.

"Quase tudo foi afetado pela calamidade", disse no domingo Alberto Mondlane, governador da província de Sofala, que inclui a cidade de Beira. "As pessoas estão sofrendo, algumas estão em cima de árvores precisando desesperadamente de ajuda."

Moradores da cidade se mobilizaram para reabrir as estradas e assegurar acesso aos socorristas. As estradas ainda estão danificadas, mas as rotas aéreas estão liberadas.

'Nunca vi nada parecido'

Shingai Nyoka, BBC Africa

Minha viagem a Chimanimani (onde o telhado do internato caiu e matou dois alunos no Zimbábue) terminou de forma abrupta quando deparei com uma cratera na rodovia. O rio corria furioso e pessoas nas duas margens observavam.

Esta era a estrada principal que ligava a cidade de Mutare às aldeias de Chimanimani, que ficaram isoladas. As equipes de resgate não conseguiram passar.

As pessoas que vivem nesta área dizem que nunca viram nada assim. Um casal de idosos, Edson e Miriam Sunguro, me disse que eles estavam tentando entrar em contato com parentes em Chimanimani sem sucesso.

"Há um risco de mais chuvas nos próximos dias para a metade norte de Moçambique e o sul do Malauí", disse Chris Fawkes, da BBC Weather.

Fawkes não descarta a possibilidade de haver tempestades, mas diz que as imagens de satélite estão confusas devido às grossas camadas de nuvens deixadas pelo Idai - tais nuvens poderiam impedir que algumas tempestades começassem.