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Chuva, atraso, tombo e protestos: fortes emoções no Grupo de Acesso do Rio

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A chuva forte que atingiu o Rio na noite de ontem quase estragou o primeiro dia de Desfiles do Grupo de Acesso. O início, programado para as 22h30, teve de ser adiado, porque o sambódromo ficou inundado. Os funcionários que tentavam liberar a avenida ficaram com água na altura do joelho. Apesar da boa venda de ingressos antecipados, o público foi bastante escasso.

Ao longo da noite, a chuva diminuiu e só cesou perto do amanhecer.

O governador Wilson Witzel (PSC) acompanhou os desfiles de um camarote.

Monique Arruda/UOL 

Unidos da Ponte

A primeira escola a entrar, pouco depois das 23h, foi a Unidos da Ponte, que ficou bastante prejudicada pela chuva. Integrantes chegaram ao sambódromo com o desfile já em andamento -inclusive os da comissão de frente, que só conseguiram acessar a Marquês de Sapucaí com 20 minutos de desfile. Ao longo da avenida, era possível ver partes de fantasias que se descolaram.

Lu Lobo, musa do escola, entrou na avenida com o corpo todo pintado. "Não estou com medo de a chuva tirar a tinta do meu corpo. A pintura foi feita por um artista plástico maravilhoso, que me garantiu que não vai sair. Mas se a tinta sair não tem problema, é Carnaval. O meu tapa sexo já é tamanho PP, não tem problema se aparecer o resto", brincou a musa.

A escola reeditou o enredo "Oferendas", de 1984, um dos mais marcantes da escola. Os carnavalescos são Rodrigo Marques e Guilherme Diniz.

Alegria da Zona Sul 

Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo 

Priscila Paulo, musa da segunda escola a entrar na avenida, também não estava pessimista quanto à chuva: "A água vem para benzer e purificar. Nossa escola tem alegria no nome e em cada integrante. E assim será nosso desfile: muito alegre".

Segunda escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, a Alegria da Zona Sul apresentou ritmistas fantasiados de Preto Velho, uma entidade da umbanda. Dos 230 integrantes da bateria, 195 tiveram os rostos e braços pintados de preto.

No ano passado, a bateria do Salgueiro adotou o mesmo procedimento e foi alvo de críticas devido à associação com o blackface -prática com um histórico ligado ao racismo no teatro do século 19, quando atores brancos pintavam o rosto para representar personagens negros de forma exagerada e estereotipada.

Celso Pupo/Fotoarena/Estadão Conteúdo 

O mestre de bateria da Alegria da Zona Sul, Claudinho, contestou a conotação racista e argumenta que a pintura era indispensável para a caracterização da entidade religiosa. "Se viéssemos sem a tinta, quem assiste não entenderia. Não foi nada racial, até porque sou negro. Tínhamos que identificar para o público e os julgadores", justificou.

A escola estourou o tempo em um minuto, o que fará com que ela perca pontos.

Acadêmicos da Rocinha 

Gabriel Sabóia/UOL 

Terceira escola a desfilar, a Acadêmicos da Rocinha enfrentou problemas. Integrantes saíram de suas alas para empurrar o último carro da escola, que vinha dando problema desde a concentração. O motor não funcionava.

André Melo Andrade/AM Press & Images/Estadão Conteúdo 

O esforço coletivo aconteceu em frente ao setor 1 da Sapucaí e foi aplaudido pelo pequeno público presente.

Antes do desfile, a musa da Rocinha Shayenne Cezário contou: "Passo o dia todo tensa, com os pés para o alto, vendo televisão. Como bem pouco durante o dia e, quando chego em casa, gosto de fazer sexo com meu marido para relaxar."

Acadêmicos de Santa Cruz

Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo 

A escola levou à Sapucaí o enredo "Ruth de Souza - Senhora Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós", homenageando a atriz de 97 anos. "Me preparei como se fosse estrear uma peça de teatro. Estou muito feliz, mas com medo da chuva estragar tudo", disse, preocupada, antes de entrar na avenida.

Ruth dispensou o trono que a escola havia preparado para ela, no abre-alas. Ruth desfilou sentada em sua cadeira de rodas, de guarda chuva. A escola, que animou muito o público e fez todo o mundo cantar o refrão de seu samba, contou com a presença de vários atores negros, como Milton Gonçalves, Juliana Alves, Elisa Lucinda e Adriana Lessa.

Celso Pupo/Fotoarena/Estadão Conteúdo 

Isabel Fillardis veio na comissão de frente e, por receio da chuva, trocou a coreografia na última hora. Ainda assim, acabou tomando um tombo durante o desfile, por causa do piso molhado.

No início do desfile, a escola exibiu uma faixa em homenagem a Marielle Franco.

A escola excedeu em dois minutos o tempo permitido para o desfile, o que provocará perda de pontos.

Unidos de Padre Miguel 

Gilson Borba/Futura Press/Estadão Conteúdo 

Escola responsável pela maior mobilização das arquibancadas da Marquês de Sapucaí na primeira noite do Grupo de Acesso do carnaval carioca, a Unidos de Padre Miguel levantou a arquibancada com o enredo "Qualquer Semelhança Não Terá Sido Mera Coincidência", em homenagem ao dramaturgo Dias Gomes.

A escola, no entanto, estourou em três minutos o tempo de desfile, o que deve fazer com que ela perca três décimos na pontuação.

Com uma ala que fazia menção ao icônico personagem da novela "O Bem Amado", Odorico Paraguaçu, a escola fez uma citação que foi interpretada por muitos como alfinetada no prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Os integrantes de uma ala coreografada tinham escrito na fantasia os dizeres "defuntíssimo prefeito".

Crivella tem sido alvo de críticas por boa parte do mundo do samba desde o primeiro ano de mandato, quando anunciou a redução dos repasses às escolas de samba do Rio. 

Inocentes de Belford Roxo 

Celso Pupo/Fotoarena/Estadão 

A rainha de bateria Thaina Oliveira fez seu primeiro desfile à frente da bateria da Belford Roxo, com uma fantasia feita de pedaços de espelho. "Está pesada, mas está confortável. E o principal: bem comportada", contou ela, acrescentando que o pai proíbe fantasias muito ousadas.

A escola apresentou o enredo "O Frasco do Bandoleiro", sob comando do carnavalesco Marcus Ferreira, que foi campeão da Série A com o Império Serrano em 2017. Chamou a atenção a reutilização de materiais descartáveis na confeccção de alegorias e fantasias.

Acadêmicos do Sossego

Última escola a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite do Grupo de Acesso do Carnaval carioca, a Acadêmicos do Sossego iniciou o seu desfile com uma mensagem direta ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Com uma faixa à frente da comissão de frente, a escola, que tentar subir para o Grupo Especial com o enredo "Não se Meta em Minha Fé, Acredito em Quem Quiser!", disse: "Respeitamos a religião do prefeito Marcelo Crivella e queremos respeito com o Carnaval".

Gabriel Sabóia/UOL 

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e é criticado por sambistas por  ter contingenciado verbas ao Carnaval.

Antes mesmo do desfile, a Sossego havia causado polêmica por ter divulgado uma alegoria que trazia um rosto similar ao do prefeito com chifres, que lembravam o diabo. A imagem viralizou nas redes sociais e foi batizada de "Diabella".

Após a polêmica, a escola informou que a escultura não estaria em seu desfilea e foi para a avenida com a imagem do ex-prefeito Eduardo Paes vestido de anjo. "Queremos dizer que o Paes foi um anjo para a gente, enquanto Crivella está sendo um diabo", disse um dos diretores da escola que não quis se identificar.

Jorge Hely/FramePhoto/Estadão Conteúdo 

Mas o desfile da Acadêmicos do Sossego não foi só política e também teve beldades.

Paulinha Padase, que desfilou com sapatilha em vez de salto alto, lançou o desafio e garantiu ter a menor cintura da Sapucaí. "Uso espartilho, todo dia, já há sete anos. Tinha 64 centímetros de cintura e perdi oito. É muita coisa. Garanto que tenho a cintura mais fina da Sapucaí. E sem plástica!".

A musa ainda completou: "Sou a única passista do mundo que samba na ponta do pé do início ao fim do desfile. Se tiver que sambar de salto, sambo também, mas o que gosto mesmo é de sapatilha".