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Brumadinho deve ser maior desastre mundial em barragens na década, diz OIT

Alex Ribeiro/Agif/Estadão Conteúdo 

A tragédia de Brumadinho (MG), ocorrida na sexta-feira, 25, deve se tornar o pior desastre em uma barragem da década no mundo. A constatação foi anunciada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, nesta segunda-feira, 28, emitiu um comunicado para apontar para a necessidade de reforço global nas medidas de segurança quando o assunto é mineração.

"Esse é o pior desastre em uma barragem na década", declarou a entidade, que monitora os acidentes de trabalho registrados em todo o mundo. Sua avaliação leva em conta o número potencial de vítimas mortais no Brasil. Segundo o último boletim divulgado pelas autoridades, 65 pessoas morreram em decorrência do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.

Em números absolutos, a tragédia em Minas Gerais está atrás dos 113 mortos em Mianmar, quando também houve o rompimento de uma barragem em 2015. Porém, a projeção da OIT é feita com base também nos 279 que estão desaparecidos na cidade mineira. Em setembro de 2008, o rompimento de uma barragem em Shanxi, na China, deixou pelo menos 254 mortos..

A OIT, porém, alerta que outras tragédias envolvendo situações similares causaram uma perda "ainda maior de vidas no passado, em todas as regiões do mundo".

Em 1965, um acidente no Chile causou a morte de mais de 300 pessoas e destruiu a cidade de El Cobre. Um ano depois, na Bulgária, outra barragem causaria oficialmente 107 mortes. As contas extra-oficiais, porém, apontam para mais de 480 vítimas no país que, na época, vivia sob regime comunista.

A Europa Ocidental também viveu os impactos de um rompimento de uma barragem. Em 1985, mais de 285 pessoas morreram na Itália.

A OIT ainda afirma que o Brasil ratificou em 2004 uma convenção internacional para garantir a segurança e a saúde nas atividades de mineração, nove anos depois que o instrumento fora aprovado.

"Essa tragédia é uma triste lembrança da importância crucial de um sistema para garantir a segurança e saúde para os trabalhadores e a proteção de suas comunidades", disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Segundo ele, a OIT continua disposta a ajudar o Brasil a fortalecer esses mecanismos para "prevenir futuros acidentes".